
“Não tenho por que correr, eu sou o inocente”. Essa foi uma das últimas frases ditas por Darci Rodrigues de Lima, de 53 anos, depois de deixar a cadeia onde ficou por mais de 30 dias preso por engano. Darci foi injustiçado duas vezes, já que ele foi preso em Prudentópolis, na região central do Paraná, após um erro cometido pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) e ainda teve seu direito cerceado quando não passou por audiência de custódia.
Na decisão que determinou a liberdade do Darci inocente, no dia 28 de março, o juiz de Sorriso (420 km ao norte de Cuiabá), Rafael Depra Panichella, admite o erro do Judiciário ao emitir o mandado de prisão com CPF e nomes do pai e da mãe errados. O condenado nasceu no dia 15 de setembro de 1958, em Crissiumal (RS). Já o Darci que foi preso por engano nasceu no dia 7 de abril de 1971, em Prudentópolis (PR).

Apenas os nomes do réu e do Darci preso são iguais (pessoas homônimas). “Analisando os referidos autos criminais, constatou-se que a guia de execução penal acerca da aludida condenação restou expedida em face de pessoa diversa e estranha do processo… Em continuidade ao equivoco, instaurouse execução penal desta guia de SEEU 2000100- 12.2023.8.11.0040, bem como se expediu o respectivo mandado de prisão em desfavor de Darci Rodrigues de Lima… que nunca foi processado nesses autos criminais”, cita trecho da decisão.
Darci foi preso no dia 26 de fevereiro, na rodoviária da cidade onde mora, e só foi libertado em 28 de março. Quando finalmente deixou o presídio, na tarde da última sexta-feira, o agente carcerário, ciente de sua inocência, disse: “Corre, corre, Darci”. Mas Darci, com sua calma e dignidade, disse a frase que abriu essa reportagem. “Sempre disse que era inocente”, reforçou em entrevista ao Jornal A Gazeta.
Ele conta que trabalha capinando terrenos e foi até a rodoviária, próximo de onde estava trabalhando, para beber água, momento em que policiais militares o abordaram. A partir desse momento, o trabalhador, que nunca teve qualquer envolvimento com a criminalidade, viu sua vida virar de cabeça para baixo.
Os policiais afirmaram que havia um mandado de prisão em aberto no nome de Darci, que era da Justiça de Mato Grosso e por tráfico de drogas e associação para o tráfico.
“Eu falei: ‘Meu Deus do céu! Não’. Nunca fui até Mato Grosso”. Darci foi preso e levado para a delegacia e, depois, para a cadeia pública da cidade e em nenhum desses momentos teve a oportunidade de ser ouvido pela justiça ou alguma autoridade policial.
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